Vale ressaltar que um ativo não congelável não adianta se não puder ser gasto. Em 1945, a Finlândia, que conseguiu lutar contra os Aliados, o Eixo e o bloco comunista em vários momentos da Segunda Guerra Mundial, tinha uma população acumulada em dinheiro (mercadorias eram racionadas durante a guerra) e poucas coisas para comprar com eles. Temendo uma explosão de inflação semelhante à que os EUA enfrentaram após a COVID, as autoridades finlandesas criaram uma forma inovadora de aplicar repressão financeira sobre dinheiro que seria resistente à censura. Com efeito imediato, todas as notas de grande denominação deveriam ser cortadas ao meio. O lado esquerdo ainda era dinheiro - valia metade do valor nominal. O lado direito agora era um título de 4 anos, rendendo apenas 2%. Nem é preciso dizer que a Finlândia ainda sofreu uma inflação robusta (bem acima de 2% pago). Também deixou contas bancárias intocadas, por motivos que não entendi. Como você sabe, a maior parte da base monetária é composta por depósitos bancários, não por dinheiro físico. Mas é um bom exemplo de como, mesmo que o ativo em si não tenha função de congelar ou queimar, se aqueles que aceitariam como pagamento puderem ser pressionados, você ainda tem um problema.